Carta de apresentação: estrutura, exemplos e modelos curtos

Pode ser lida depois do currículo, mas a carta de apresentação continua a ser o único sítio onde explica porquê esta função, nesta empresa. Bem construída, cabe em poucos parágrafos e escreve-se depressa.

Atualizado em 7 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

A carta de apresentação ainda é útil?

Muitos formulários online tornam-na opcional e alguns recrutadores só a leem numa segunda fase. Ainda assim, conta em vários casos: quando o anúncio a pede expressamente, quando o seu percurso precisa de ser explicado (mudança de área, um período sem trabalho, primeiro emprego), numa candidatura espontânea ou quando a função exige escrever bem.

O seu papel não é repetir o currículo. Liga alguns elementos concretos do seu percurso àquilo de que a função precisa e mostra que sabe a quem se está a dirigir. Uma carta genérica, enviada igual a dez empresas, não faz nem uma coisa nem outra: mais vale uma carta curta mas personalizada.

A estrutura de uma carta de apresentação

Em Portugal, a carta organiza-se normalmente em quatro partes, entre uma saudação inicial e uma fórmula de despedida:

  1. Abertura: a função a que se candidata, onde viu o anúncio e uma frase sobre o que o atrai nela.
  2. Porquê você: duas ou três experiências ou competências do seu currículo que respondem às funções do anúncio, com um resultado concreto se o tiver.
  3. Porquê esta empresa: o que sabe sobre ela (um produto, um projeto, um mercado) e o que traria.
  4. Fecho: reafirme o seu interesse, indique a sua disponibilidade e peça uma entrevista.

O registo é formal: «Exma. Senhora Dra. Costa,» ou «Exmos. Senhores,» na saudação e «Com os melhores cumprimentos» na despedida. Noutros países os hábitos mudam: em França segue-se muitas vezes a ordem «vocês / eu / nós», e na Alemanha o «Anschreiben» respeita uma paginação normalizada.

Versão curta por e-mail ou carta formal?

SituaçãoFormato recomendadoExtensão
Formulário online com um campo de textoTexto curto, sem cabeçalho nem moradas5 a 10 linhas
Resposta a um anúncio por e-mailMensagem curta no corpo do e-mail, currículo em anexo5 a 10 linhas
O anúncio pede uma carta em anexoCarta formal em PDF: contactos, data, assunto, cumprimentosUma página no máximo
Candidatura espontânea, administração pública, cargo de direçãoCarta formal em PDFUma página no máximo

A versão curta segue a mesma lógica, com cerca de uma frase por parte. Precisamente por ser curta, costuma ser lida até ao fim.

Personalizar a carta para a empresa

  • O título exato da função e o nome da empresa, sem erros, e o do responsável se constar do anúncio.
  • Um facto concreto sobre a empresa: um produto, um projeto, um mercado ou um valor que lhe interesse de verdade.
  • As funções do anúncio, retomadas com as mesmas palavras e ligadas ao que já fez.
  • Um exemplo tirado do seu currículo, com um número se o tiver: torna a carta credível e dá um tema para a entrevista.

É o mesmo trabalho que adaptar o currículo a um anúncio: ler a oferta, identificar os requisitos e escolher no seu percurso o que lhes responde. Nada do que escrever deve ir além do que fez realmente.

Três modelos de carta para adaptar

Os modelos são fictícios. Substitua cada pormenor pelas suas próprias experiências e pelo que sabe da empresa: uma carta copiada tal e qual nota-se logo.

Recém-licenciado — versão curta por e-mail
Assunto: Candidatura — Analista de Dados Júnior (ref. AD-24)

Exma. Senhora Dra. Santos,

Venho por este meio responder ao anúncio para Analista de Dados Júnior publicado no vosso site. O projeto de reunir num único painel os indicadores de todas as vossas lojas é exatamente o tipo de trabalho em que quero crescer.

Terminei recentemente a licenciatura em Economia. Durante um estágio de seis meses na Fictivia Retalho, preparei relatórios semanais de vendas em SQL e Excel e automatizei um controlo de stock que a equipa fazia à mão.

Teria todo o gosto em explicar numa entrevista como poderia contribuir para a vossa equipa. Envio em anexo o meu currículo.

Com os melhores cumprimentos,
Tiago Pereira
910 000 000
Mudança de área — carta formal
Exmos. Senhores,

Na Fictivia Seguros, cada cliente é acompanhado por um único gestor do início ao fim. É precisamente esse acompanhamento próximo e duradouro que me leva a apresentar a minha candidatura à função de gestora de apoio ao cliente.

Durante oito anos trabalhei como enfermeira num serviço de cirurgia. Aprendi a explicar informação complexa a pessoas preocupadas, a gerir prioridades sob pressão e a registar com rigor cada intervenção. Concluí recentemente uma formação em atendimento ao cliente e, no estágio, tratei por telefone e por e-mail pedidos de reembolso de despesas de saúde.

Estou convicta de que esta dupla experiência, na saúde e no apoio ao cliente, pode ser útil aos vossos segurados. Gostaria de vos explicar isto numa entrevista.

Com os melhores cumprimentos,

Inês Carvalho
Candidatura espontânea — carta formal
Assunto: Candidatura espontânea — técnico de manutenção industrial

Exmo. Senhor Eng. Rodrigues,

Soube que a Fictivia Alimentar vai abrir no próximo ano uma nova linha de embalamento na fábrica de Vila Fictícia. Um crescimento destes exige equipas de manutenção capazes de intervir depressa, e é por isso que lhe escrevo, mesmo sem anúncio publicado.

Há cinco anos que trabalho como técnico de manutenção na Fictivia Embalagens, por turnos, em linhas de produção automatizadas. Asseguro a manutenção preventiva e corretiva e implementei um plano de manutenção preventiva que reduziu as paragens não programadas da minha linha. Tenho habilitação para trabalhos elétricos.

Teria todo o gosto em conhecê-lo para falarmos das vossas necessidades atuais ou futuras. Fico ao dispor para uma entrevista quando lhe for mais conveniente.

Com os melhores cumprimentos,

Rui Oliveira

Que extensão deve ter?

Uma carta formal não passa de uma página: três ou quatro parágrafos curtos e arejados, sem repetir o currículo linha a linha. Num formulário online, respeite o limite de caracteres do campo e prefira frases completas a um texto cortado a meio. Uma carta curta e precisa vale mais do que uma página inteira de generalidades.

Os erros a evitar

  • Enganar-se no nome da empresa ao reutilizar uma carta antiga: é a maneira mais rápida de ser excluído.
  • Contar todo o percurso: para isso existe o currículo. A carta escolhe dois ou três pontos.
  • Falar só de si: conta mais o que traria à empresa do que o que a função lhe daria a si.
  • Frases feitas («dinâmico, proativo, com vontade de aprender») sem um exemplo que as prove.
  • Afirmar o que não fez: qualquer frase pode vir à baila na entrevista.
  • Erros ortográficos: leia a carta em voz alta ou peça a alguém para a rever.

Enviar a candidatura por e-mail

  • Assunto: «Candidatura — título da função — referência do anúncio». Quem a recebe deve perceber do que se trata sem a abrir.
  • Corpo: a versão curta da sua carta, ou três linhas a apresentar a candidatura se enviar a carta formal em anexo.
  • Anexos: em PDF, com nomes claros como «CV Nome Apelido.pdf» e «Carta de apresentação Nome Apelido.pdf».
  • Endereço de envio: um endereço pessoal sóbrio, com o seu nome e apelido.

Aponte a data de envio: se não tiver notícias ao fim de uma ou duas semanas, um contacto de seguimento curto e cordial é perfeitamente normal.

Perguntas frequentes

Ainda é preciso escrever uma carta de apresentação?

Sim quando o anúncio a pede, numa candidatura espontânea ou quando o seu percurso precisa de ser explicado. Quando é opcional, umas linhas personalizadas costumam bastar.

Posso enviar a mesma carta a várias empresas?

A estrutura pode ser a mesma, mas o parágrafo sobre a empresa e os exemplos escolhidos devem mudar sempre. Uma carta igual para todas nota-se logo.

Carta de apresentação e carta de motivação são a mesma coisa?

Usam-se muitas vezes como sinónimos. A carta de motivação, frequente em mestrados, bolsas e Erasmus, insiste mais nas razões da sua escolha.

É preciso assinar uma carta enviada por e-mail?

Basta o nome e apelido no fim. Numa carta formal em PDF pode juntar uma assinatura digitalizada, mas não é obrigatório.

Fontes

  1. Europass — Criar a sua carta de apresentação (Comissão Europeia)

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