Como adaptar o CV a uma oferta de emprego: o método em 6 passos
O mesmo currículo enviado para todo o lado não responde ao que cada empresa procura. Adaptar o CV não é inventar: é pôr em destaque, para aquela função em concreto, aquilo que você já fez.
Porquê adaptar o CV a cada oferta?
Quem recruta percorre um CV em poucos instantes com uma única pergunta: esta pessoa tem o que esta função exige? Se a resposta estiver escondida no fim da segunda página, ou escrita com palavras diferentes das do anúncio, pode facilmente passar despercebida.
Muitas empresas fazem ainda a triagem das candidaturas com um software de recrutamento (ATS) que procura competências e nomes de funções. Um CV adaptado fala a mesma língua da oferta: é encontrado mais depressa e lê-se mais rapidamente. Veja o nosso guia sobre o CV e os softwares de recrutamento.
1. Ler a oferta como um recrutador
Antes de mexer no CV, releia o anúncio e organize o que ele pede em três listas:
- Os requisitos: o que é «obrigatório» ou «indispensável», os anos de experiência, a formação académica, cartas de condução ou certificações exigidas.
- As mais-valias: o que é «preferencial», «valorizado» ou «uma mais-valia».
- As funções: o que a pessoa fará no dia a dia. Indicam-lhe que experiência destacar.
Aponte as palavras exatas usadas: o nome da função («Técnico de Recursos Humanos» em vez de «recrutador»), ferramentas, metodologias, setores. São essas as palavras que vai reutilizar, quando descrevem realmente o seu percurso. Muitos anúncios em Portugal usam títulos em inglês: se a oferta procura um «Account Manager», não o traduza.
2. Usar o nome da função no título
O título no topo do CV é a primeira coisa a ser lida. Se corresponder à sua experiência, retome o nome da função da oferta, completado, se quiser, com uma especialidade ou os anos de experiência.
| Oferta | Título genérico | Título adaptado |
|---|---|---|
| Técnico/a de Marketing Digital | Marketing e comunicação | Técnica de Marketing Digital — 5 anos em agência |
| Programador/a Back-end Java | Informático | Programador Back-end Java / Spring |
| Técnico/a de Contabilidade (Fornecedores) | Administrativo | Técnico de Contabilidade de fornecedores — fechos mensais |
3. Reescrever o perfil para esta função
O perfil profissional (ou «resumo») ocupa duas a quatro linhas. Para uma oferta concreta, responde a três perguntas: quem é profissionalmente, o que sabe fazer que serve esta função e que resultado ou contexto o comprova.
Técnica de marketing digital com 5 anos de experiência em agência, a trabalhar com marcas de retalho. Faço a gestão das redes sociais e das campanhas de e-mail de ponta a ponta, da linha editorial aos relatórios mensais. Habituada a trabalhar com equipas de produto e a acompanhar orçamentos de publicidade mês a mês.
4. Destacar as experiências certas
Não precisa de mudar a ordem cronológica inversa das suas experiências, mas pode escolher o que diz sobre cada uma. Em cada função, ponha primeiro as realizações que respondem às funções da oferta e encurte as que não têm relação.
- Comece cada linha com um verbo de ação («coordenei», «implementei», «reduzi»).
- Indique um resultado mensurável sempre que o tiver: a fórmula XYZ ajuda a formulá-lo.
- Retome o vocabulário do anúncio quando descreve o que realmente fez.
5. Reordenar as competências
Coloque primeiro as competências que a oferta menciona, com o mesmo nome («Excel» e «folhas de cálculo» nem sempre são reconhecidos como equivalentes por um software). Uma competência que a oferta não refere pode ficar, mais abaixo; uma competência que não tem nunca deve aparecer.
6. Verificar a língua, a extensão e o ficheiro
- A língua: uma oferta escrita em inglês pede normalmente um CV em inglês, títulos das secções incluídos.
- A extensão: depende do país e da sua experiência, veja que tamanho deve ter um CV.
- O modelo: o formato Europass é muito conhecido, mas não é obrigatório; o que conta é que o conteúdo responda à oferta.
- O ficheiro: um PDF com texto selecionável e um nome claro («CV Nome Apelido Empresa.pdf»).
- A revisão: cada frase tem de continuar a ser verdadeira. Na entrevista, podem pedir-lhe um exemplo de qualquer linha.
Erros a evitar
- Copiar o anúncio: colar frases inteiras da oferta nota-se logo e não diz nada sobre si.
- Acrescentar competências «para o software»: uma palavra-chave que não domina vai custar-lhe a entrevista.
- Manter um único CV «universal»: é mais longo, menos claro e não responde a nenhuma oferta em particular.
- Perder o CV de base: guarde uma versão completa de todo o seu percurso. É essa que adapta de cada vez, sem perder nada.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora adaptar o CV?
À mão, o mais demorado é preparar um CV de base completo; depois, cada oferta implica reler o anúncio, ajustar o título e o perfil e ordenar experiência e competências. Uma ferramenta como o Trakrio propõe uma versão adaptada em poucos segundos, que você revê.
Adaptar o CV é mentir?
Não, desde que se limite a escolher e reformular o que fez realmente. Mentir seria acrescentar um curso, um empregador, uma competência ou um nível que não tem.
Também devo adaptar a carta de apresentação?
Sim: deve falar daquela empresa e daquela função. Veja o nosso guia sobre a carta de apresentação.
Devo mudar o design do CV para cada oferta?
Raramente. O que conta é o conteúdo; mantenha um grafismo sóbrio e legível, exceto nas profissões criativas, em que o CV também serve de amostra do seu trabalho.